05/03/2006 22:50
Incômodo insistente. Palavra que desafina no meu ouvido - horrendo seu mover de lábios ao falar, trágico seu sorriso repetitivo. Qual motivo disso estar aí? Faça o favor de explicar, não consigo entender porque é dessa maneira.
Será que minha percepção estava dormente pra esses detalhes? na procura de justificar o que existe de mais patético em você, percebo que algo me liga irremediavelmente a você. Porque eu poderia simplesmente ter ido embora, mas essa não foi a escolha. A escolha feita foi permanecer, tentar descobrir as camadas que se escondem debaixo dessa enorme mancha escura que ameaça invadir áreas vizinhas...
Observo o gesto repetitivo, de novo e de novo. Decupo, desfaço em pedaços, refaço de ponta cabeça, faço conforme voa minha imaginação mas tento desesperadamente arrumar. Estava assim até agora, confortável como os lençóis com cheiro do amaciante, na cama arrumada no quarto arrumado.
Procuro, procuro...
acho que vou precisar rearrumar as coisas. vou ter que mudar tudo de lugar, pra poder acomodar isso que acabei de ver. Sim, porque vou incluir também isso que acabei de ver, decidi agora. o que vamos fazer com isso, isso vamos ver.
Apesar de feio, desagradável, noto que esse pequeno detalhe ainda lhe é necessário. impressionante como lhe vejo construindo sua defesa através dessa ridícula ferramenta, seja lá o que seja. mas se ainda é assim que dribla a fraqueza...
queria que você percebesse o quanto se perde na ilusão de proteger-se contra a vulnerabilidade da fraqueza. também tenho as minhas ferramentas ridículas. Queria que ficássemos mais fortes pra nos esquecermos delas. Precisamos nos desfazer delas em algum momento, ok? não quero a casa cheia de entulhos.
enviada por danita
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