Café e Conversa


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13/03/2006 14:50
blog homônimo... www.cafeeconversa.blogspot.com. vá lá...
enviada por danita



12/03/2006 10:50
hipnotismo - fenômeno em que me deixo levar por entre pesadelos ou sonhos leves - a escolha dos rumos está nas suas mãos. o embalo repetitivo da sua voz, seus olhos de ressaca trazendo destroços e querendo levar os meus pro fundo. aos poucos vou ficando confusa, confundindo meus desejos com os seus.
dominação por vezes doce, por vezes amarga. a verdade é que anseio por esses lapsos de realidade, por essa releitura onírica do fato acontecido, pela não linearidade.
antes entendia minha mão como sendo minha, bem colada ao meu braço que se estendia do meu tronco organizado ao redor da coluna acomodada sobre a bacia, sustentada por duas pernas enraizadas no chão. agora não é mais assim. as partes se misturam flutuando em dimensões variáveis conforme surgem outras duas mãos, outros dois braços e pernas, outro tronco - o calor e a textura das peles se misturam. e as ondas levam e trazem, num ritmo doce e repetitivo, o novo corpo que se deixa levar sem saber pra onde.
prazer se mistura com medo, já que agora as seguranças ficaram na terra firme e estamos em alto mar, no momento.
nunca antes foi assim. se soubesse de antemão que seus olhos iriam me levar assim...
enviada por danita



10/03/2006 08:25
Eu comigo.
Eu no mundo.
O mundo em mim.
Trajetória em curso...
enviada por danita



05/03/2006 22:50
Incômodo insistente. Palavra que desafina no meu ouvido - horrendo seu mover de lábios ao falar, trágico seu sorriso repetitivo. Qual motivo disso estar aí? Faça o favor de explicar, não consigo entender porque é dessa maneira.
Será que minha percepção estava dormente pra esses detalhes? na procura de justificar o que existe de mais patético em você, percebo que algo me liga irremediavelmente a você. Porque eu poderia simplesmente ter ido embora, mas essa não foi a escolha. A escolha feita foi permanecer, tentar descobrir as camadas que se escondem debaixo dessa enorme mancha escura que ameaça invadir áreas vizinhas...
Observo o gesto repetitivo, de novo e de novo. Decupo, desfaço em pedaços, refaço de ponta cabeça, faço conforme voa minha imaginação mas tento desesperadamente arrumar. Estava assim até agora, confortável como os lençóis com cheiro do amaciante, na cama arrumada no quarto arrumado.
Procuro, procuro...
acho que vou precisar rearrumar as coisas. vou ter que mudar tudo de lugar, pra poder acomodar isso que acabei de ver. Sim, porque vou incluir também isso que acabei de ver, decidi agora. o que vamos fazer com isso, isso vamos ver.
Apesar de feio, desagradável, noto que esse pequeno detalhe ainda lhe é necessário. impressionante como lhe vejo construindo sua defesa através dessa ridícula ferramenta, seja lá o que seja. mas se ainda é assim que dribla a fraqueza...
queria que você percebesse o quanto se perde na ilusão de proteger-se contra a vulnerabilidade da fraqueza. também tenho as minhas ferramentas ridículas. Queria que ficássemos mais fortes pra nos esquecermos delas. Precisamos nos desfazer delas em algum momento, ok? não quero a casa cheia de entulhos.
enviada por danita



28/02/2006 09:15
os sonhos precisam germinar pra crescer. E como brotos e filhotes são frágeis em certos momentos, assumimos a luta. uma certa dose de embrutecimento se faz necessária - uma certa dose. o cansaço surge. por um breve momento, procuro a sua mão e ela não está lá. momento que parece sem fim e é quebrado pelo seu rosto que se vira e me olha.
seu rosto é tranquilo. mas até que eu consiga compreender por inteiro o que ele quer dizer, nessa fração de segundo, várias mensagens surgem em cada traço. a fração de segundo que demora até que eu entenda que começo ler mensagens que seu rosto não trouxe, mas que vieram de outros rostos que me povoam ou já povoaram.
procuro ouvir mais com o coração do que com os ouvidos, agora. coração aquieta e os corpos repousam. noite.
enviada por danita



27/02/2006 08:43
minha mão toca seu ombro e você me olha, enquanto procura por algo no armário. Onde colocou a lata de tinta branca? O corpo acordado, envolvido na tarefa de deixar tudo mais claro, limpo, bonito. Tudo isso requer um certo trabalho, um certo esforço. Eventualmente, nos esbarramos a caminho de nossos objetivos particulares. Separados e juntos, ao mesmo tempo. A casa nos protege e deixamos os sonhos germinando ali. O desenrolar dos fatos se prepara. Gestação.
enviada por danita



26/02/2006 09:10
sua mão toca o meu ombro e eu acordo. existe melhor jeito de acordar? aconchego que toma conta de mim, parece que não existe nem o antes nem o depois. só carinho no cabelo, voz falando baixinho, silêncio.
sei da história inteira não, só sei que é uma boa introdução.
enviada por danita



17/02/2006 18:20
- me incomoda, sabe, doutor... essa falta de profundidade das pessoas. é, elas são muito superficiais, não se questionam sobre a vida. não concordo com isso. é que eu leio muito nietzsche, sabe? e ele é um cara questionador, sabe? e quando eu assisto antonioni aí sim eu vejo arte, sabe? arte de verdade. mas me incomoda como as pessoas não entendem esse meu impulso artístico, que elas não sabem questionar. elas são muito óbvias. é isso, muito óbvias.
- hummm...
- e depois eu estou super disposta a crescer, sabe? mas tenho que questionar as coisas, sabe?
- hummm... essa é sua... vamos ver aqui... centésima septuagésima nona sessão...
- não sei, o sr que faz as contas de quanto eu devo. e papai paga.
- hummm.. certo, certo... bom, depois de cento e setenta e nove sessões ainda não está claro - o que a incomoda?
- como assim "o que" me incomoda? o sr não me ouve sempre... é essa superficialidade das pessoas.
- ah... Bom, acho que eu tenho que lhe dizer que cheguei a uma conclusão.
- conclusão?
- é. eu sei de algo que vai ajudá-la mais do que estas sessões.
- mais do que a psicanálise? mas eu estou fazendo duas vezes por semana e você é o psicanalista da marília gabriela e do ney latorraca. você deve saber o que está fazendo. e sua sessão é realmente muito bem paga, você há de convir...
- pois é... mas eu preciso lhe dizer... você precisa lavar roupa.
- Como?
- Você precisa lavar roupa no tanque. Precisa arear panela, encerar chão. precisa pegar metrô pra itaquera seis e meia da tarde, precisa comer pão amanhecido,precisa guardar troco pra pagar passagem de ônibus, precisa lamber a tampa do iogurte, precisa comer maionese estragada no PF do boteco, precisa enfiar o pé na lama em dia de chuva, minha filha. precisa se estragar um pouco, tá, minha filha? que meu ouvido não é pinico. Pronto! economizei uns meses de terapia. Pronto. Tá dada sua alta, viu, minha filha? ai meu saco...

obs: essa é uma obra de ficção. cumprindo aqui sua função catártica... UUUAAAAH!!!... ficção, ouviram?
enviada por danita



16/02/2006 08:04
Eu nasci numa cidade onde não nascia o sol. Lá o sol não chegava, nem esse tiquinho de luz.
Eu, assim como todos que nasceram lá, tinha a vista acostumada com o escuro. É, não precisava de lâmpada, lamparina, vela, poste de luz, nada disso pra enxergar. A gente conseguia fazer tudo muito bem sendo sempre noite.
Mas um dia, comecei a sentir algo diferente sobre tudo isso. Quando eu era menina, na escola, comecei a perguntar pra professora se não tinha um jeito pras árvores ficarem mais altas. É, porque lá as árvores eram bem baixinhas, e eu sempre gostei de subir nas árvores. Mas conforme eu fui crescendo, foi perdendo a graça subir naquelas árvores pequenininhas e eu queria saber onde encontrar árvores mais altas. Minha professora disse que eu não iria encontrar nenhuma árvore assim lá porque as árvores só ficavam altas quando viam o sol. Comecei a ficar interessada em como seria o sol.
Eu nunca gostei de vestir os casacos de lã e as meias de lã que a minha mãe fazia. Eram muito bonitos, era preciso vestí-los senão sentia muito frio, mas a verdade é que pinicavam minha pele. E eu tentei então vestir várias roupas, uma em cima da outra, mas era muito incômodo. Começou a me incomodar mais do que de costume isso. E eu disse que estava cansada de vestir tanta roupa. Desejei muito um lugar onde não precisasse vestir tanta roupa e descobri que nos lugares onde nascia o sol fazia calor, que a terra guardava calor até durante a noite e a gente não precisava vestir esse montão de roupa.
A adolescência chegou e eu comecei a ter vontade de parecer mais bonita. Mas tinha alguma coisa errada. Por mais que a gente costurasse a roupa desse ou daquele jeito, faltava alguma coisa... Alguma coisa que agradasse a vista, que divertisse o olhar. Daí uma amiga minha disse que aonde nascia o sol existiam umas coisas que chamavam de cores, que divertiam os olhos.
Começou a crescer uma vontade tão grande de conhecer o que era esse sol que eu não agüentei - fui conhecê-lo...
enviada por danita






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